O cenário econômico de 2025 apresenta uma reconfiguração importante para quem busca investimentos seguros e previsíveis. Após anos de taxas de juros elevadas que tornaram a renda fixa historicamente atrativa, o Brasil entra em um período de transição monetária que exige atenção redobrada dos investidores.
A queda gradual da Taxa Selic, que iniciou seu ciclo de redução no segundo semestre de 2024 e continua em 2025, transforma a equação de rendimentos. Se por um lado os retornos absolutos dos títulos públicos diminuem em relação aos picos anteriores, por outro, a perspectiva de inflação controlada e juros em patamares mais baixos cria um ambiente diferente para a tomada de decisão.
Para quem investe em títulos públicos, entender essa dinâmica não é apenas uma questão de acompanhar números. É fundamental reconhecer que a segurança tradicionalmente oferecida pelo Tesouro Direto ganha camadas de complexidade quando o contexto macroeconômico muda. A renda fixa deixou de ser uma escolha óbvia para quem apenas queria parar o dinheiro e passou a exigir estratégia.
Este guia existe para preencher essa lacuna: mostrar, de forma clara e prática, como funcionam os títulos públicos brasileiros, quais as opções disponíveis, e como construir uma estratégia de investimento que faça sentido dentro do momento atual da economia.
O que é renda fixa e por que diferente de variável
Renda fixa é um termo que causa confusão. O nome sugere que esse tipo de investimento não varia, que o retorno está garantido independente do que acontece no mercado. Na prática, a realidade é mais nuançada.
O que define renda fixa é a forma como o investimento funciona contratualmente. Quando você compra um título de renda fixa, está emprestando dinheiro a um emissor — que pode ser o governo, um banco ou uma empresa. Em troca, esse emissor se compromete a pagar juros periódicos e devolver o principal na data de vencimento. Essa previsibilidade contratual é o que diferencia renda fixa de renda variável.
Na renda variável, como ações, você compra participação em uma empresa e seus ganhos dependem do desempenho dela e das expectativas do mercado. O preço das ações sobe ou cai diariamente, sem compromisso contratual de retorno. Há potencial de ganho muito maior, mas também risco de perda.
Em renda fixa, o risco é estruturalmente diferente. Não significa sem risco, como muitos erroneamente pensam. Existe o risco de o emissor não pagar (risco de crédito), o risco de a inflação comer o poder de compra do retorno (risco de inflação), e o risco de você precisar vender antes do vencimento e receber menos do que investiu (risco de mercado).
A vantagem da renda fixa está na previsibilidade para quem segura até o vencimento. Se você compra um título com taxa de 10% ao ano e segura até o fim, sabe exatamente quanto vai receber. Essa característica é valiosa para objetivos específicos e para quem não quer surpresas.
| Característica | Renda Fixa | Renda Variável |
|---|---|---|
| Previsibilidade de retorno | Alta (contratual) | Baixa |
| Risco de perda | Limitado ao crédito e mercado | Ilimitado |
| Volatilidade | Baixa | Alta |
| Potencial de ganho | Definido no momento da compra | Ilimitado |
| Adequado para | Objetivos definidos, curto/médio prazo | Patrimônio de longo prazo |
Títulos públicos explicados: o governo como emissor
Títulos públicos são a forma mais segura de emprestar dinheiro ao governo brasileiro. Quando você investe em um título público, está financiando a dívida do governo federal — e em troca, recebe juros por esse empréstimo.
O emissor desses títulos é o Tesouro Nacional, órgão responsável por captar recursos para financiar as atividades do governo federal, pagar dívidas existentes e investir em áreas como saúde, educação e infraestrutura. Emitir títulos é a principal forma do governo se financiar, e o mercado de títulos públicos brasileiros é um dos mais líquidos e desenvolvido da América Latina.
Essa posição de emissor soberano é o que confere aos títulos públicos a característica de segurança. O governo federal tem poder de recolher impostos e controlar a política monetária, o que teoricamente elimina o risco de não honrar suas dívidas. Não existe histórico de default federal no Brasil moderno, diferentemente do que ocorre com alguns estados e municípios.
O programa Tesouro Direto, lançado em 2002 pela Secretaria do Tesouro Nacional em parceria com a B3, democratizou o acesso a esses investimentos. Antes, apenas grandes investidores e instituições podiam comprar títulos públicos diretamente. Hoje, qualquer pessoa física pode acessar o programa pela internet, a partir de valores relativamente baixos.
Investir em títulos públicos significa, portanto, participar do financiamento do desenvolvimento nacional. O retorno que você recebe está diretamente ligado à confiança na economia brasileira e às condições macroeconômicas do país.
Tesouro Selic, IPCA+ ou Prefixado: qual a diferença
O Tesouro Direto oferece diferentes tipos de títulos, cada um com uma mecânica de rendimento específica. Compreender essas diferenças é essencial para fazer escolhas assertivas.
O Tesouro Selic é um título pós-fixado cuja rentabilidade acompanha a Taxa Selic. Se a Selic está em 10,75% ao ano, seu investimento renderá aproximadamente isso, mais ou menos um spread definido no momento da compra. A grande vantagem é a proteção contra variações de juros: se a taxa sobe, seu rendimento aumenta automaticamente. É o título mais utilizado para reserva de emergência e investimentos de curtíssimo prazo.
O Tesouro IPCA+ é um título híbrido. Ele paga uma taxa de juros real (fixa acima da inflação) mais a variação do IPCA, o índice oficial de inflação. Se você compra um IPCA+ com juros de 5% ao ano e a inflação fecha o ano em 4%, seu rendimento total será de aproximadamente 9%. Esse título é ideal para quem precisa proteger o poder de compra no longo prazo, como para aposentadoria ou objetivos distantes.
O Tesouro Prefixado tem uma taxa de juros definida no momento da compra, válida para todo o período do investimento. Se você compra um prefixado com taxa de 10% ao ano, sabe exatamente quanto receberá de juros ao final, independentemente do que aconteça com a Selic ou com a inflação. É útil quando você acredita que os juros vão cair e quer travar uma taxa elevada.
A escolha entre esses três tipos depende fundamentalmente de duas perguntas: qual é seu horizonte de tempo e você precisa proteger contra inflação?
Quando cada título faz sentido conforme seu objetivo
A teoria por trás da escolha de títulos públicos é simples: quanto maior o prazo do investimento, maior a importância de se proteger contra a inflação. Essa lógica orientará a maioria das decisões.
Para reservas de emergência e recursos que você pode precisar a qualquer momento, o Tesouro Selic é a escolha natural. A liquidez diária permite resgate a qualquer tempo sem perda de rentabilidade, e a proteção contra variações de juros garante que seu dinheiro não será penalizado se a economia apresentar surpresas.
Para objetivos de médio prazo, entre dois e cinco anos, a decisão fica mais interessante. Se a economia está com juros altos e você acredita que a tendência é de queda, o Tesouro Prefixado pode ser interessante para travar uma taxa elevada. Mas se a incerteza sobre a direção da economia é grande, o Tesouro IPCA+ oferece proteção contra cenários ruins de inflação.
Para objetivos de longo prazo, acima de cinco anos, o Tesouro IPCA+ geralmente é a recomendação predominante. A lógica é simples: em horizontes extensos, a inflação acumulada é significativa. Um investimento que rende apenas a taxa de juros pode perder poder de compra ao longo do tempo se a inflação surpreender. O IPCA+ garante que você recebe juros reais acima da inflação, preservando o valor real do patrimônio.
Uma estratégia combinada possível para quem tem múltiplos objetivos é diversificar entre os tipos. Uma parte em Tesouro Selic para emergência, outra em IPCA+ para objetivos de longo prazo, e talvez uma parcela menor em Prefixado para capturar oportunidades de taxa de juros em cenários específicos.
O mais importante é alinhar o título com o objetivo. Não faz sentido investir em IPCA+ com vencimento em 2035 se você planeja usar o dinheiro para uma casa em 2027.
Garantias e segurança: FGC e respaldo do Tesouro Nacional
A segurança dos títulos públicos brasileiros tem dois pilares fundamentais: o respaldo soberano do governo federal e a proteção do Fundo Garantidor de Crédito.
O primeiro e mais importante pilar é o próprio governo como emissor. Quando você compra um título público federal, está com um crédito contra a União. O governo federal tem capacidade de recolher impostos e controlar a política monetária, o que significa que possui recursos para honrar seus compromissos. Desde o Plano Real, o governo federal brasileiro nunca entrou em default em títulos públicos denominados em reais.
Isso não significa risco zero. Governos podem enfrentar crises de confiança, e episódios de moratória aconteceram historicamente em outros países. Mas no contexto brasileiro atual, com economia diversificada e mercado interno robusto, o risco de default federal é considerado extremamente baixo por analistas e agências de classificação de risco.
O segundo pilar é o Fundo Garantidor de Crédito, o FGC. O FGC é uma entidade privada sem fins lucrativos que protege depositantes e investidores de instituições financeiras em caso de falência ou liquidação. A cobertura do FGC é de até 250 mil reais por CPF e por instituição, limitada ao total de 1 milhão de reais a cada quatro anos.
É crucial entender: o FGC cobre títulos de bancos (como CDBs, LCIs e LCAs), mas NÃO cobre diretamente títulos públicos federais. O motivo é simples: o risco de default do governo federal é considerado menor que o risco de bancos, então a garantia do FGC seria redundante. Os títulos públicos têm proteção soberana, que é estruturalmente mais forte que a garantia do FGC.
Investir em títulos públicos federais significa ter o respaldo do Estado brasileiro. Não existe aplicação financeira mais segura no país em termos de risco de crédito.
Riscos reais dos títulos públicos e como gerenciá-los
Existe uma percepção equivocada de que títulos públicos são sem risco. Essa visão ignora três riscos importantes que todo investidor deve conhecer.
O risco de mercado é o mais intuitivo. Se você compra um título público e decide vender antes do vencimento no mercado secundário, o preço pode ser maior ou menor do que o valor que pagou. Isso acontece porque os títulos têm duration, uma medida de sensibilidade aos juros. Quando as taxas de juros sobem, os preços caem, e vice-versa. Para quem vende antes do vencimento, há possibilidade de perda.
O risco de taxa de juros está diretamente relacionado. Se você compra um título prefixado com taxa de 12% e os juros caem para 8%, você ganhou porque travou uma taxa alta. Mas se os juros subirem para 15%, seu título de 12% fica menos atrativo. A chave que define se isso é problema ou oportunidade é se você vai precisar vender antes do vencimento.
O risco de reinvestimento é menos óbvio, mas igualmente real. Quando um título vence, você recebe o principal e precisa reinvestir em outro ativo. Se as taxas de juros caíram no período, seu novo investimento renderá menos. Esse risco é mais relevante para quem investe em títulos de curto prazo e precisa constantemente rolar posições.
Para gerenciar esses riscos, a estratégia principal é alinhar o vencimento do título com seu horizonte de investimento. Se você vai precisar do dinheiro em três anos, escolha um título com vencimento próximo a três anos. Assim, não precisará vender no mercado secundário e não enfrentará volatilidade de preços. Essa prática, conhecida como immunização de carteira, é a forma mais eficiente de eliminar riscos de mercado para objetivos definidos.
Comparativo de rentabilidade: títulos públicos versus outras modalidades
Comparar rendimento de diferentes investimentos de renda fixa requer atenção aos detalhes. Cada modalidade tem características próprias que vão além da taxa de juros anunciada.
A poupança, investimento mais popular do Brasil, segue uma regra específica: rende 70% da Taxa Selic quando ela está acima de 8,5% ao ano, mais TR. Em um cenário de Selic em 10,75%, a poupança rende aproximadamente 7,5% ao ano. Títulos públicos com taxa próxima à Selic renderão significativamente mais, frequentemente com diferença de 2 a 3 pontos percentuais ao ano.
Os CDBs de grandes bancos oferecem taxas que variam bastante. Em momentos de competição por clientes, os bancos podem oferecer CDBs com taxa de 100% do CDI ou mais, mas frequentemente as ofertas estão na faixa de 90% a 95% do CDI para pessoas físicas. CDBs de bancos menores e bancos digitais podem oferecer rendimentos melhores, mas carregam risco de crédito maior.
As LCIs e LCAs (Letras de Crédito Imobiliário e do Agronegó are isentos de IR para pessoas físicas, o que as torna particularmente atrativas em termos de retorno líquido. Um LCI que rende 90% do CDI pode ser mais interessante que um CDB que rende 100% do CDI após considerar o imposto de renda.
Fundos de renda fixa têm desempenhos variados. Fundos de crédito privado podem oferecer rendimentos maiores, mas carregam risco de crédito e taxa de administração. Fundos de treasury Indexados ao Tesouro Direto têm taxas baixas e desempenho próximo aos títulos que replicam.
Em geral, títulos públicos superam a poupança consistentemente e oferecem rendimento competitivo com CDBs de grandes bancos. A vantagem comparativa aparece mais claramente em cenários de menores taxas de juros, quando cada ponto percentual de diferença tem impacto significativo no resultado final.
Rendimento médio esperado para títulos públicos em 2025
Projetar rendimentos de títulos públicos envolve incerteza inerente, já que dependem de variáveis macroeconômicas que ninguém consegue prever com precisão. No entanto, é possível estabelecer cenários razoáveis.
O Tesouro Selic rende aproximadamente a Taxa Selic, atualmente em 10,75% ao ano. Para 2025, projeções do mercado financeiro indicam que a Taxa Selic deve continuar em trajetória de queda, encerrando o ano em torno de 9% a 9,5%, segundo o Relatório Focus do Banco Central. Isso significa que o rendimento médio do Tesouro Selic ao longo de 2025 deve ficar próxima de 10% a 10,5%, considerando a média ponderada durante o ano.
O Tesouro IPCA+ com juros reais ao redor de 5% a 5,5% ao ano, somado à expectativa de inflação de 4% a 4,5% para 2025, deve oferecer rendimento total bruto em torno de 9,5% a 10% ao ano. Esse é o retorno real, acima da inflação, que o investidor pode esperar em termos de ganho de poder de compra.
O Tesouro Prefixado com vencimentos em 2027 e 2028 atualmente opera com taxas ao redor de 11% a 12% ao ano. Se você comprar e segurar até o vencimento, esse será seu rendimento efetivo, independente do que aconteça com a economia no caminho.
É importante ressaltar que esses números são projeções e podem variar. Surpresas inflacionárias, mudanças na política monetária ou eventos externos podem alterar significativamente os resultados. O mais sensato é usar essas projeções como referência, mas manter flexibilidade na estratégia.
Os rendimentos atuais de títulos públicos ainda estão em patamares atrativos quando comparados ao histórico brasileiro, mas representam redução significativa em relação aos picos de 2023-2024.
Como investir em títulos públicos: passo a passo completo
O processo de investir em títulos públicos pelo Tesouro Direto é direto, mas exige atenção em alguns detalhes importantes. Aqui está o caminho completo.
O primeiro passo é abrir uma conta em uma instituição financeira autorizada a operar no Tesouro Direto. A maioria dos bancos tradicionais, bancos digitais e corretoras oferecem acesso ao programa. A diferença entre eles está nas taxas cobradas, que abordaremos na próxima seção. Recomenda-se comparar as condições antes de escolher.
Após abrir a conta e aguardar a aprovação, você terá acesso à plataforma de investimentos. O acesso geralmente é feito pelo internet banking ou aplicativo da instituição. Na seção de investimentos, procure pela opção Tesouro Direto ou Títulos Públicos.
Na tela de compra, você encontrará a lista de títulos disponíveis com suas características: tipo (Selic, IPCA+ ou Prefixado), taxa de rendimento, data de vencimento e preço unitário. Cada título tem um código específico, como Tesouro Selic 2029 ou Tesouro IPCA+ 2035. Clique no título desejado para ver mais detalhes.
Na tela de detalhes, você escolherá a data de vencimento desejada (ou o sistema pode definir automaticamente) e informará o valor que deseja investir. O valor mínimo para compra é de cerca de 30 reais. O sistema calculará a quantidade de títulos que você comprará e o preço total.
Após confirmar a compra, o valor será debitado da sua conta no dia útil seguinte (modelo D+1). Os títulos aparecerão na sua carteira e começarão a render a partir desse momento. A partir da data de liquidação, você pode acompanhar o desempenho no extrato.
Para vender antes do vencimento, o processo é similar: acessar a área de títulos públicos, selecionar a opção de venda, escolher quais títulos deseja vender e confirmar. A venda será executada no preço de mercado do dia, com liquidação em D+1.
Custos e taxas para investir no Tesouro Direto
Investir em títulos públicos envolve custos que afetam o retorno líquido. Compreender essas cobranças é fundamental para fazer comparações adequadas.
A taxa de administração é cobrada pela instituição financeira onde você abre a conta. Algumas corretoras oferecem taxa zero, especialmente para Tesouro Direto. Bancos tradicionais frequentemente cobram 0,1% a 0,5% ao ano sobre o valor investido. Essa taxa incide sobre o patrimônio total aplicado e é debitada diariamente ou mensalmente.
A taxa de custódia é obrigatória e cobrada pela B3, a bolsa de valores brasileira. O valor é de 0,25% ao ano sobre o valor dos títulos, com um mínimo de 10 reais anuais. Essa taxa é descontada automaticamente do rendimento dos títulos e não pode ser negociada.
Não existe taxa de compra ou venda no Tesouro Direto para operações no mercado primário (quando você compra diretamente do governo). No mercado secundário (venda antes do vencimento), também não há taxa específica além da custódia.
O spread é um conceito importante. Quando você compra um título, o preço inclui uma pequena diferença entre o preço teórico e o preço de compra. Da mesma forma, na venda, pode haver uma diferença adversa. Na prática, para operações normais de investimento (não trade ativo), esse custo é muito pequeno e não impacta significativamente o resultado.
Para minimizar custos, a recomendação é escolher instituições com taxa de administração zero ou muito baixa. A diferença de 0,3% ao ano pode parecer pequena, mas em dez anos representa milhares de reais a menos no patrimônio final.
Tributação: IR e IOF sobre investimentos em títulos públicos
Os investimentos em títulos públicos estão sujeitos a tributação que varia conforme o tipo de rendimento e o período de aplicação. Entender essas regras é fundamental para calcular o retorno líquido.
O Imposto de Renda incide sobre os rendimentos de títulos públicos conforme uma tabela regressiva. A alíquota depende do tempo que o investimento permanece aplicado:
| Tempo de aplicação | Alíquota de IR |
|---|---|
| Até 180 dias | 22,5% |
| De 181 a 360 dias | 20% |
| De 361 a 720 dias | 17,5% |
| Acima de 720 dias | 15% |
Essa tabela regressiva favorece investimentos de longo prazo. Para objetivos de muito curto prazo, como reserva de emergência, a tributação elevada pode comer significativamente o rendimento.
O IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) incide sobre resgate realizado antes de 30 dias da data de aplicação. A alíquota é regressiva: 96% no primeiro dia, reduzindo progressivamente até zero a partir do 30º dia. Para a maioria dos investimentos em títulos públicos, o IOF não se aplica após o 30º dia.
Para Tesouro Selic, há uma particularidade: os rendimentos são tributados como renda, não como ganho de capital. Na prática, a tributação segue a tabela regressiva mostrada acima.
Importante: para investimentos em títulos indexados ao IPCA+, o ajuste da inflação pelo indexador não é considerado rendimento tributável. Apenas os juros reais pagos são tributados. Isso torna o IPCA+ particularmente eficiente em termos fiscais para investimentos de longo prazo.
Liquidez e prazos: quando considerar o resgate
A liquidez dos títulos públicos é uma de suas maiores vantagens, mas exige compreensão de como funciona na prática.
Todos os títulos públicos comprados pelo Tesouro Direto podem ser revendidos a qualquer momento no mercado secundário. Isso significa que, tecnicamente, você tem liquidez diária. No entanto, poder vender não significa vender sem custo.
Quando você vende antes do vencimento, o preço de venda é determinado pelo mercado. Se as taxas de juros subiram desde sua compra, o preço do seu título cairá, e você venderá com perda. Se as taxas caíram, haverá ganho. Essa volatilidade de preço é o risco de mercado mencionado anteriormente.
Para evitar surpresas, a estratégia ideal é escolher títulos com vencimento alinhado ao seu horizonte de investimento. Se você sabe que vai precisar do dinheiro em três anos, invista em títulos com vencimento em três anos. Assim, na data de vencimento, recebe o valor nominal sem nenhuma perda por preço de mercado.
Os títulos com maior liquidez são os de emissão mais recente e maior volume de mercado. O Tesouro Selic, por exemplo, é extremamente líquido. Títulos IPCA+ de vencimentos distantes também têm mercado ativo. As menores liquidez são encontradas em títulos com vencimentos atípicos ou de emissões antigas.
Na prática, o resgate deve ser planejado. Se o objetivo está próximo, resgate alguns dias antes para ter margem. Se houver dúvida entre vender agora ou esperar, considere: a diferença de alguns dias ou semanas raramente justifica o risco de mudanças abruptas no mercado.
Conclusão: construindo sua estratégia de renda fixa
O caminho para investir em títulos públicos não é único. Depende fundamentalmente do seu perfil, dos seus objetivos e do momento econômico.
Se você está começando, reserve uma parte do patrimônio para emergência em Tesouro Selic. Essa aplicação oferece liquidez total e proteção contra variações de juros, sendo ideal para recursos que podem ser necessários a qualquer momento.
Para objetivos de médio prazo, avalie o cenário de juros. Se as taxas estão altas e você acredita que vão cair, um Tesouro Prefixado pode travar um rendimento interessante. Se há incerteza, o IPCA+ oferece proteção contra surpresas inflacionárias.
Para objetivos de longo prazo, como aposentadoria ou investimentos que não serão tocados por décadas, o Tesouro IPCA+ é estruturalmente a melhor opção. A combinação de juros reais mais proteção inflacionária garante que o poder de compra será preservado.
Lembre-se de considerar os custos: escolha instituições com taxas baixas e otimize o retorno líquido. Planeje os prazos de acordo com seus objetivos para evitar perdas no mercado secundário. E não se deixe levar pela percepção equivocada de que renda fixa é sem risco — entendendo os riscos, você pode gerenciá-los.
O mais importante é começar. O investimento em títulos públicos, pela sua simplicidade e segurança, é um ponto de partida sólido para construir patrimônio de forma previsível e controlada.
FAQ: Perguntas frequentes sobre títulos públicos e investimentos seguros
Quais os tipos de títulos públicos mais seguros para investimento?
Todos os títulos públicos federais emitidos pelo Tesouro Nacional são considerados os investimentos mais seguros do Brasil. O Tesouro Selic, o Tesouro IPCA+ e o Tesouro Prefixado têm o respaldo soberano do governo federal, que possui capacidade de recolher impostos e controlar a política monetária. A diferença de segurança entre eles é inexistente em termos de risco de crédito.
Como funciona a proteção do FGC para investimentos em renda fixa?
O Fundo Garantidor de Crédito protege investimentos em instituições financeiras federais, com cobertura de até 250 mil reais por CPF e por instituição, limitada a 1 milhão de reais a cada quatro anos. O FGC cobre CDBs, LCIs, LCAs, letras de câmbio e depósitos em conta-corrente ou poupança. IMPORTANTE: títulos públicos federais NÃO precisam de proteção do FGC porque têm respaldo soberano, estruturalmente mais forte que a garantia do fundo.
Qual o rendimento médio dos títulos públicos em 2025?
Os rendimentos projetados para 2025 variam por tipo de título. O Tesouro Selic deve render aproximadamente 10% a 10,5% ao ano, considerando a trajetória de queda da Taxa Selic. O Tesouro IPCA+ deve oferecer rendimento total (juros reais mais inflação) de aproximadamente 9,5% a 10%. O Tesouro Prefixado atualmente negocia com taxas de 11% a 12% ao ano para vencimentos de médio prazo. Esses números são projeções e podem variar conforme o cenário econômico.
Como escolher entre Tesouro Selic, IPCA+ e Prefixado?
A escolha depende de dois fatores principais: horizonte de investimento e necessidade de proteção contra inflação. Para reservas de emergência e recursos de curto prazo, o Tesouro Selic é mais adequado pela liquidez e proteção contra variações de juros. Para objetivos de longo prazo, o Tesouro IPCA+ protege contra inflação. O Tesouro Prefixado é indicado quando você acredita que as taxas de juros vão cair e quer travar uma taxa elevada.
Quais são os custos e taxas para investir em títulos públicos?
Os custos incluem a taxa de administração (cobrada pela instituição financeira, varia de 0% a 0,5% ao ano) e a taxa de custódia (obrigatória, 0,25% ao ano, com mínimo de 10 reais anuais). Não há taxa de compra ou venda para operações normais. Para minimizar custos, escolha corretoras com taxa de administração zero ou muito baixa.
Posso perder dinheiro investindo em títulos públicos?
Sim, é possível perder dinheiro se você vender o título antes do vencimento e as taxas de juros subiram no período. Nesse caso, o preço de mercado do título cai e a venda gera perda. Para evitar essa situação, o ideal é investir com vencimento alinhado ao seu horizonte de necessidade e segurar até o vencimento, quando recebe o valor nominal integralmente.

